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Tu vais ter uma empresa para os teus investimentos

Tu vais ter uma empresa para os teus investimentos

Se estás a investir, ou a pensar investir, é normal que surja a pergunta: devo criar uma empresa para os meus investimentos?

Esta pergunta já foi feita muitas vezes, mas não tem uma resposta direta. E não tem porque, no investimento, não existe uma solução única que sirva para toda a gente. Tudo depende do ponto da viagem em que estás.

O erro mais comum é querer decidir o enquadramento antes de perceber a fase. Muitas vezes, isso leva a escolhas desfasadas da realidade financeira e do momento do investidor.

Antes de tudo: perceber onde estás na viagem

No investimento, cada pessoa encontra-se num ponto diferente do percurso. Há quem esteja a começar, há quem já tenha feito algumas operações e há quem esteja numa fase de escala. Todas essas fases são normais e fazem parte do caminho.

Por isso, quando alguém pergunta “o que é melhor para mim?”, a resposta correta não é empresa nem IRS. A resposta certa é perceber em que fase da viagem essa pessoa está e quais são as suas necessidades reais, sobretudo ao nível de alavancagem e financiamento.

O veículo certo e o papel da alavancagem

Investir é como uma viagem. O veículo não se escolhe por gosto, escolhe-se porque é o mais adequado ao terreno que se vai percorrer naquele momento. No investimento, esse veículo pode ser a atuação a título pessoal ou, mais tarde, uma empresa.

Nas fases iniciais, a alavancagem é crítica. É ela que permite ganhar tração financeira e avançar. Nesta etapa, atuar em nome pessoal faz muitas vezes mais sentido, porque o acesso ao financiamento é mais simples e a estrutura acompanha melhor a realidade do investidor.

Avançar demasiado cedo para uma empresa pode criar dificuldades, sobretudo no financiamento, e colocar o investidor num enquadramento desfasado da sua fase. Começar em nome pessoal não é um erro, é frequentemente parte natural do caminho.

Pessoa singular vs empresa: duas lógicas diferentes

Aqui existe uma diferença estrutural importante.

Na empresa (IRC), para as Finanças, vai tudo para o mesmo sítio

  • rendimentos de arrendamento, 
  • vendas de imóveis, 
  • prestações de serviços, 
  • outros ganhos. 

Ganhos e perdas cruzam-se e podem anular-se. É relativamente simples estimar com precisão qual o imposto que se irá pagar, partindo do lucro anual estimado. 

Na esfera pessoal (IRS), isso não acontece.
Aqui, os rendimentos são tratados por categorias, como se fossem gavetas diferentes:

  • rendimentos imobiliários,
  • dividendos,
  • participações,
  • prestações de serviços.

Cada gaveta tem regras próprias e não comunica com as outras. Este modelo é mais técnico, e também mais complexo de fazer estimativas fiscais.

Caso prático: a evolução natural do Pedro

Para tornar esta ideia mais concreta, imagina o caso do Pedro.

O Pedro quer investir e começa por fazer a pergunta clássica: vale a pena criar já uma empresa?
No início, o Pedro está numa fase em que precisa de financiamento, quer ganhar tração e ainda não tem escala. Se criasse uma empresa neste momento, teria mais dificuldade em financiar e estaria a usar uma estrutura desajustada da sua realidade. Aqui, o enquadramento pessoal faz sentido, não porque seja melhor em abstrato, mas porque é o adequado ao momento.

Com o tempo, o Pedro começa a fazer mais operações. Passa a ter rendimentos diferentes, vendas, arrendamentos e outras atividades associadas. Enquanto pessoa singular, tudo isto fica misturado, o que torna mais difícil prever impostos e controlar o risco. Nesta fase, a empresa ainda não é obrigatória, mas a pergunta já começa a fazer sentido.

Mais à frente, quando o Pedro atinge escala, faz várias operações por ano e tem um portefólio relevante, surgem novas preocupações: risco, responsabilidade, organização e previsibilidade fiscal. É aqui que a empresa aparece quase de forma inevitável. Não por moda ou estatuto, mas porque a dimensão da atividade assim o exige.

Quando surge a pergunta “e como tiro o dinheiro da empresa?”, a resposta prática é simples: nem sempre é preciso tirar. Se a empresa suporta despesas e gere o património, muitas vezes não há necessidade de distribuir rendimento diretamente.

A empresa como etapa natural da jornada

Quando se observa quem já faz muitas operações por ano, com vários imóveis e negócios associados, o padrão é claro: essas pessoas têm empresas. As razões repetem-se e estão sempre ligadas à fiscalidade, à responsabilidade, à mitigação de risco e à dimensão da atividade.

A empresa não é o início da viagem, é uma etapa do percurso. Quem continua a investir acaba, mais cedo ou mais tarde, por chegar lá.

Conclusão

Criar uma empresa para investir não é uma decisão automática nem imediata. É uma decisão que surge quando a jornada avança e quando o contexto o justifica. O mais importante é não saltar etapas e alinhar o enquadramento com a fase em que estás.

Cada fase tem o seu veículo. Respeitar esse timing é o que permite crescer de forma sustentável e consistente no investimento.

Se tiveres dúvidas, já sabes, fala comigo, tenho todo o prazer em ajudar-te!

Um abraço e bons investimentos!